- Para o evento em curso, consulte Tour de France 2008.
O Tour de France (em português Volta da França ou Volta à França) ou simplesmente Tour, é uma competição ciclística por etapas disputada anualmente no mês de Julho. O percurso é composto de mais de 3000 km de estradas irregulares e montanhosas que, de uma certa maneira, representam uma volta na França.
O Tour de France é o mais prestigiado dos três Grands Tours do calendário ciclístico na Europa; os outros são o Giro d'Italia (Giro) e a Vuelta a España (Vuelta).
editar História e descrição geral
Corredores assinando o livro de presença, ao início de uma etapa.
Também conhecido como La Grande Boucle (o grande laço), o Tour foi criado em 1903 por Henri Desgrange, fundador do jornal L'Auto (antepassado do diário esportivo francês L'Équipe), baseado em uma idéia do jornalista Géo Lefèvre (1877-1961). O objetivo, na época, era o de fazer concorrência às corridas Paris-Brest-Paris (patrocinada por Le Petit Journal) e Bordeaux-Paris (patrocinada por Le Vélo).
O Tour tem sido disputado anualmente desde 1903, mas foi interrompido durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.
Cerca de sessenta ciclistas participaram do primeiro Tour de France. Ele começou em 5 de Julho de 1903 em frente ao café Reveil Matin em Montgeron, na periferia parisiense; era composto por 6 etapas ligando Paris, Lyon, Marselha, Toulouse, Bordéus (Bordeaux) e Nantes. Maurice Garin foi o vencedor deste primeiro Tour de France.
No começo, o Tour era uma corrida de enduro quase contínuo. Os corredores dormiam na beira da estrada e não eram autorizados a receber assistência alguma, mas vários participantes da segunda edição foram excluídos por terem apanhado um trem em parte do percurso. Hoje em dia, o Tour é uma corrida por etapas, isto é, é dividido em etapas diárias. Há veículos de serviço (motocicletas e carros) que fornecem informações, alimento, água, acesso a mecânicos ou até assistência médica. Alguns veículos são "neutros" a todos os corredores pois pertencem à organização, outros são próprios a cada equipe.
A maior parte das etapas são disputadas na França, mas é muito comum algumas etapas serem disputadas em países adjacentes à França, como Itália, Espanha, Suíça, Bélgica, Luxemburgo e Alemanha, e até mesmo em países não adjacentes, como Irlanda, Inglaterra e Países Baixos. As três semanas geralmente incluem dois dias de repouso, que são algumas vezes aproveitados para transportar os corredores quando o final de uma etapa é muito distante do início da etapa seguinte.
Nos últimos anos, a primeira etapa tem sido precedida de uma curta etapa de contra-relógio individual (1 a 15 km), chamada Prólogo ("Le Prologue"). O final tradicional é em Paris, nos Champs-Élysées. Entre essas duas etapas, são disputadas várias outras, incluindo etapas de montanha, contra o relógio individual e por equipe. As etapas restantes são disputadas em terreno relativamente plano. Com a variedade de etapas, os sprinters podem ganhar algumas etapas, mas o vencedor geral final é quase sempre um especialista em etapas de montanhas e contra-relógio.
Perfil da subida do Alpe d’Huez.
Muitos lugares, e especialmente montanhas, estão freqüentemente presentes no percurso geral do Tour (em praticamente todas as edições), e ganharam relativa fama por isso. As montanhas mais conhecidas são as de "categoria especial", com picos cuja dificuldade de ascensão está para além de uma categorização normal, e incluem o Passo do Tourmalet (Pireneus, 2114 m), Monte Ventoux (Provence, 1909 m), Passo do Galibier (Alpes, 2645 m), o Hautacam (Pireneus, 1800 m) e o Alpe d'Huez, nos Alpes, com suas famosas 21 curvas, culminando a 1850 m.
De maneira geral, as etapas de montanha, juntamente com as etapas de contra-relógio, decidem o vencedor do Tour de France, já que a diferença de tempo entre os ciclistas costuma ser muito maior nestas que nas etapas em plano.
Existem diversos prêmios a serem disputados, e a cada prêmio corresponde uma camiseta. Existe uma ordem de prioridade para as diferentes camisetas de líder:
-
a camiseta amarela ("maillot jaune"), atribuída ao primeiro corredor em tempo individual na classificação geral, é a de maior prestígio. Foi inventada em 1919, em referência ao papel amarelo do jornal L'Auto. É atribuída calculando-se o tempo total gasto por cada corredor, isto é, adicionando-se os tempos de cada etapa. O corredor com o menor tempo é considerado o líder no momento, e, ao final do evento, é declarado o vencedor geral do Tour.
-
a camiseta verde ("maillot vert"), atribuída ao primeiro corredor na classificação individual por pontos (sprints). Ao final de cada etapa, ganham-se pontos quando se termina a etapa nos primeiros lugares. O número de pontos depende do tipo de etapa - mais se a etapa for plana, um pouco menos se for intermediária, ainda menos se for de montanha e o mínimo em etapas contra o relógio. Também atribuem-se uns poucos pontos ao corredor que alcança primeiro certos pontos intermediários, assim como um bônus em segundos para o concurso da camiseta amarela, mas são geralmente tão poucos que não representam muita coisa no resultado final. No entanto, têm um papel preponderante durante a primeira semana, antes das etapas de montanha, quando os corredores estão relativamente próximos na classificação geral. Erik Zabel (Alemanha) é o corredor que mais vezes terminou o Tour com a camiseta verde, por 6 vezes, todas consecutivas, entre 1996 e 2001.
-
a camiseta branca com bolas vermelhas ("maillot à pois"), é atribuída ao primeiro corredor na classificação em etapas de montanha; no topo de cada montanha do Tour, atribuem-se pontos aos primeiros a chegar no topo. As subidas são classificadas em categorias de 1 (mais difícil) a 4 (menos difícil) de acordo com seu grau de dificuldade, onde são levados em conta o declive e o comprimento da subida. Uma quinta categoria, chamada categoria especial, é reservada às montanhas ainda mais difíceis que as da primeira categoria. O primeiro corredor em uma subida de quarta categoria recebe 5 pontos, enquanto que o primeiro de uma subida categoria especial recebe 40. Enquanto que somente o 2° e o 3°Colocados também ganham pontos em uma subida de quarta categoria, os 15 primeiros em uma subida categoria especial são recompensados com pontos. Apesar de o melhor ciclista em montanha ser distinguido desde 1933, foi somente em 1975 que a camiseta branca com pontos vermelhos foi introduzida para identificá-lo. As cores foram decididas pelo patrocinador da época, Chocolates Poulain, para combinar com um de seus produtos mais populares. Richard Virenque (França) detém o recorde absoluto na montanha, tendo ganho o título de "Rei da Montanha" sete vezes, em 1994, 1995, 1996, 1997, 1999, 2003 e 2004. Além dele, ganharam o título de "Rei da Montanha" seis vezes: Federico Bahamontes (Espanha) em 1954, 1958, 1959, 1962, 1963, 1964 e Lucien van Impe (Bélgica) em 1971, 1972, 1975, 1977, 1981, 1983.
-
a camiseta branca ("maillot blanc"): segue os mesmos critérios da camiseta amarela, mas somente disputada por corredores com idade máxima de 25 anos em 31 de dezembro do ano em questão. A categoria, criada em 1975, foi introduzida como forma de reconhecer o desempenho dos ciclistas mais jovens, foi temporariamente extinta em 1998, mas novamente reintroduzida pouco tempo depois. Poucos são os competidores que se podem orgulhar de ter vestido as camisetas amarela e branca no mesmo ano. O francês Laurent Fignon, em 1983, o alemão Jan Ullrich, que ainda compete, em 1997, e o espanhol vencedor do Tour de 2007 Alberto Contador são os únicos até agora.
-
o dorsal vermelho, que é atribuído ao corredor mais combativo da etapa anterior. No final de cada etapa, os juízes atribuem pontos aos corredores que entraram em "fugas" na etapa. O corredor com o maior número de pontos ganha um dorsal vermelho com letras em branco ao invés das usuais letras pretas em fundo branco.
- Finalmente, há a classificação por equipes. Para esta classificação, os tempos dos três primeiros corredores de cada equipe são adicionados após cada etapa. O Tour tem atualmente 22 equipes com 9 corredores cada uma (no início), cada equipe patrocinada por uma ou várias empresas. Não há regras específicas quanto à nacionalidade dos corredores de uma mesma equipe, apesar de este ter sido o caso em algumas edições anteriores do Tour.
editar Melhores classificados na prova
| Ano |
Vencedor |
Segundo lugar |
Terceiro lugar |
Etapas |
km. |
Vel. média (km/h) |
| 2008 |
Carlos Sastre |
Cadel Evans |
Bernhard Kohl |
21 |
3558,5 |
40,49 |
| 2007 |
Alberto Contador |
Cadel Evans |
Levi Leipheimer |
21 |
3547 |
38,97 |
| 2006 |
Oscar Pereiro |
Andreas Klöden |
Carlos Sastre |
21 |
3657 |
40,784 |
| 2005 |
Lance Armstrong |
Ivan Basso |
Jan Ullrich |
21 |
3608 |
41,654 |
| 2004 |
Lance Armstrong |
Andreas Klöden |
Ivan Basso |
21 |
3395 |
41,654 |
| 2003 |
Lance Armstrong |
Jan Ullrich |
Alexandre Vinokourov |
21 |
3403 |
40,940 |
| 2002 |
Lance Armstrong |
Joseba Beloki |
Raimondas Rumsas |
21 |
3462 |
39,990 |
| 2001 |
Lance Armstrong |
Jan Ullrich |
Joseba Beloki |
21 |
3453 |
40,070 |
| 2000 |
Lance Armstrong |
Jan Ullrich |
Joseba Beloki |
21 |
3662 |
39,545 |
| 1999 |
Lance Armstrong |
Alex Zülle |
Fernando Escartín |
21 |
3.870 |
40,726 |
| 1998 |
Marco Pantani |
Jan Ullrich |
Bobby Julich |
22 |
3.875 |
39,983 |
| 1997 |
Jan Ullrich |
Richard Virenque |
Marco Pantani |
22 |
3944 |
39,75 |
| 1996 |
Bjarne Riis [1] |
Jan Ullrich |
Richard Virenque |
22 |
3765 |
39,236 |
| 1995 |
Miguel Induráin |
Alex Zülle |
Laurent Jalabert [2] |
21 |
3636 |
39,19 |
| 1994 |
Miguel Induráin |
Piotr Ugrumov |
Marco Pantani |
21 |
3968 |
38,29 |
| 1993 |
Miguel Induráin |
Tony Rominger |
Zenon Jaskula |
20 |
3715 |
38,71 |
| 1992 |
Miguel Induráin |
Claudio Chiappucci |
Gianni Bugno |
21 |
3983 |
39,50 |
| 1991 |
Miguel Induráin |
Gianni Bugno |
Claudio Chiappucci |
22 |
3915 |
38,75 |
| 1990 |
Greg LeMond |
Claudio Chiappucci |
Erik Breukink |
21 |
3449 |
38,62 |
| 1989 |
Greg LeMond |
Laurent Fignon |
Pedro Delgado |
21 |
3286 |
37,49 |
| 1988 |
Pedro Delgado |
Steven Rooks |
Fabio Parra |
22 |
3282 |
39,91 |
| 1987 |
Stephen Roche |
Pedro Delgado |
Jean Francois Bernard |
25 |
4232 |
36,65 |
| 1986 |
Greg LeMond |
Bernard Hinault |
Urs Zimmermann |
23 |
4083 |
36,92 |
| 1985 |
Bernard Hinault |
Greg LeMond |
Stephen Roche |
22 |
4128 |
36,22 |
| 1984 |
Laurent Fignon |
Bernard Hinault |
Greg LeMond |
23 |
4021 |
34,91 |
| 1983 |
Laurent Fignon |
Angel Arroyo |
Peter Winnen |
22 |
3962 |
35,91 |
| 1982 |
Bernard Hinault |
Joop Zoetemelk |
Johan Van der Velde |
21 |
3512 |
37,47 |
| 1981 |
Bernard Hinault |
Lucien Van Impe |
Robert Alban |
22 |
3756 |
37,99 |
| 1980 |
Joop Zoetemelk |
Hennie Kuiper |
Raymond Martin |
22 |
3945 |
35,32 |
| 1979 |
Bernard Hinault |
Joop Zoetemelk |
Joaquim Agostinho |
24 |
3720 |
36,07 |
| 1978 |
Bernard Hinault |
Joop Zoetemelk |
Joaquim Agostinho |
22 |
3913 |
34,93 |
| 1977 |
Bernard Thévenet |
Hennie Kuiper |
Lucien Van Impe |
22 |
4092 |
35,59 |
| 1976 |
Lucien Van Impe |
Joop Zoetemelk |
Raymond Poulidor |
22 |
4016 |
34,51 |
| 1975 |
Bernard Thévenet |
Eddy Merckx |
Lucien Van Impe |
22 |
3999 |
34,90 |
| 1974 |
Eddy Merckx |
Raymond Poulidor |
Vicente López-Carril |
22 |
4098 |
35,24 |
| 1973 |
Luis Ocaña |
Bernard Thévenet |
José Manuel Fuente |
20 |
4140 |
33,92 |
| 1972 |
Eddy Merckx |
Felice Gimondi |
Raymond Poulidor |
20 |
3846 |
35,37 |
| 1971 |
Eddy Merckx |
Joop Zoetemelk |
Lucien Van Impe |
20 |
3689 |
36,93 |
| 1970 |
Eddy Merckx |
Joop Zoetemelk |
Gosta Pettersson |
23 |
4366 |
36,49 |
| 1969 |
Eddy Merckx |
Roger Pingeon |
Raymond Poulidor |
22 |
4102 |
35,30 |
| 1968 |
Jan Janssen |
Herman Vanspringel |
Ferdinand Bracke |
22 |
4662 |
34,89 |
| 1967 |
Roger Pingeon |
Julio Jiménez |
Franco Balmanion |
22 |
4780 |
34,76 |
| 1966 |
Lucien Aimar |
Jan Janssen |
Raymond Poulidor |
22 |
4329 |
36,60 |
| 1965 |
Félice Gimondi |
Raymond Poulidor |
Gianni Motta |
22 |
4175 |
36,09 |
| 1964 |
Jacques Anquetil |
Raymond Poulidor |
Federico Bahamontes |
22 |
4505 |
35,42 |
| 1963 |
Jacques Anquetil |
Federico Bahamontes |
José Pérez-Francés |
21 |
4140 |
36,46 |
| 1962 |
Jacques Anquetil |
Jef Planckaert |
Raymond Poulidor |
22 |
4272 |
37,31 |
| 1961 |
Jacques Anquetil |
Guido Carlesi |
Charly Gaul |
21 |
4394 |
36,28 |
| 1960 |
Gastone Nencini |
Graziano Battistini |
Jan Adrianensens |
21 |
4272 |
37,21 |
| 1959 |
Federico Bahamontes |
Henri Anglade |
Jacques Anquetil |
22 |
4363 |
35,24 |
| 1958 |
Charly Gaul |
Vito Favero |
Raphael Geminiani |
24 |
4319 |
36,91 |
| 1957 |
Jacques Anquetil |
Marc Janssens |
Adolf Christian |
22 |
4555 |
34,51 |
| 1956 |
Roger Walkowiak |
Gilbert Bauvin |
Jan Adriaensens |
22 |
4528 |
36,51 |
| 1955 |
Louison Bobet |
Jean Brankart |
Charly Gaul |
22 |
4495 |
34,43 |
| 1954 |
Louison Bobet |
Ferdi Kubler |
Fritz Schaer |
23 |
4855 |
34,64 |
| 1953 |
Louison Bobet |
Jean Malléjac |
Giancarlo Astrua |
22 |
4479 |
34,61 |
| 1952 |
Fausto Coppi |
Stan Ockers |
Bernardo Ruiz |
23 |
4807 |
31,60 |
| 1951 |
Hugo Koblet |
Raphael Geminiani |
Lucien Lazaridés |
24 |
4474 |
31,43 |
| 1950 |
Ferdi Kubler |
Stan Ockers |
Louison Bobet |
22 |
4776 |
32,78 |
| 1949 |
Fausto Coppi |
Gino Bartali |
Jacques Marinelli |
21 |
4813 |
32,12 |
| 1948 |
Gino Bartali |
Briek Schotte |
Guy Lapébie |
21 |
4922 |
33,40 |
| 1947 |
Jean Robic |
Ed Fachleitner |
Pierre Brambilla |
21 |
4640 |
31,50 |
| 1939 |
Sylvère Maes |
René Vietto |
Lucien Vlaemynck |
18 |
4224 |
31,89 |
| 1938 |
Gino Bartali |
Felicien Vervaecke |
Victor Cosson |
21 |
4694 |
31,56 |
| 1937 |
Roger Lapébie |
Mario Vicini |
Leo Amberg |
20 |
4415 |
31,74 |
| 1936 |
Sylvère Maes |
Antonin Magne |
Felicien Vervaecke |
21 |
4442 |
31,07 |
| 1935 |
Romain Maes |
Ambrogio Morelli |
Felicien Vervaecke |
21 |
4302 |
30,56 |
| 1934 |
Antonin Magne |
Giuseppe Martano |
Roger Lapébie |
23 |
4363 |
29,46 |
| 1933 |
Georges Speicher |
Learco Guerra |
Giuseppe Martano |
23 |
4395 |
29,70 |
| 1932 |
André Leducq |
Kurt Stoepel |
Francesco Camusse |
21 |
4502 |
29,22 |
| 1931 |
Antonin Magne |
Jos Demuysere |
Antonio Pesenti |
24 |
5095 |
28,76 |
| 1930 |
André Leducq |
Learco Guerra |
Antonin Magne |
21 |
4818 |
27,98 |
| 1929 |
Maurice Dewaele |
Giuseppe Pancera |
Jos Demuysere |
22 |
5288 |
28,32 |
| 1928 |
Nicolas Frantz |
André Leducq |
| | |